quinta-feira, 10 de maio de 2018

SER, TER E USUFRUIR



 Quantas manhãs de nossas vidas começam com uma bela contemplação diante do divino espetáculo que é o sol nascendo?            




Quantas vezes ficamos parados simplesmente olhando, admirando o majestoso esvoaçar de um beija flor?  


   


Simplesmente não dá tempo pois estamos quase sempre envolvidos com outras questões e providências: as mensagens no celular, o carro que não pega, a eminência do trânsito insuportável que provavelmente enfrentaremos até chegar ao trabalho, reuniões intermináveis, contas que não fecham, dinheiro muito curto, enfim, coisas da vida, das quais inseridos no mundo que estamos, dificilmente conseguiremos escapar...

Mas e aí então não tem jeito de apreciarmos um pouco mais o belo, a singeleza dos elementos naturais, que de tão naturais passam sem serem notados? 

Acredito que sim, tenha jeito. A questão é o peso que damos as situações vividas. 

Vamos pensar juntos.

Ser feliz, leve, pleno e embebido das coisas simples, acredito, pode ter mais peso. Pois "sendo" trabalhamos nossas aquisições internas. 

Nosso riso fácil, nossa ternura diante de uma criança, nosso encantamento pelo sol que se esparrama em nosso quintal. 

Ninguém tira isso de nós, é aquisição plena, alimento da alma, nos preenchendo e acalmando.

Ter,sei bem, é também fundamental pois se relaciona com a nossa sobrevivência. Sem dinheiro, não há como pagar contas, ter um teto, garantir o alimento, fazer passeios, apreciar um bom teatro ou cinema, vestir-se, viajar. Tudo autêntico e real.

Usufruir no entanto, é para mim o fiel da balança. Pesando o Ser e o Ter, podemos decidir o que Usufruir. 

Interessante ao usar nossa balança interna avaliarmos o quanto de desgaste temos no Ter por criarmos muitas vezes necessidades que na verdade mais nos trazem angústia e ansiedade do que propriamente prazer ao adquiri-las. 

Será mesmo importante ter aquele determinado carro que me custará mais três, quatro horas por semana longe do convívio da minha família por mais alguns anos? Serei mesmo mais apreciado se  tiver aquele apartamento maior naquele bairro que me conferirá mais status?

Para que tanto cansaço e envolvimento com coisas que não levarei quando partir?  A  pergunta é: O que cabe em minha alma?
Provavelmente as coisas que eu usufrui: Os bons momentos passados em família, com irmãos e primos. O carinho e afeto trocado com meu marido, as risadas com meus netos, as plantas que vi crescer, o voo do beija flor em torno do meu jardim, o nascer do sol na montanha...

Ah usufruir...Sempre podemos escolher, nos desapegando do supérfluo, do desnecessário, esvaziando nossas mentes e corações da comparação com que o outro tem e eu preciso ter.                                                                                                                        
Ser mais simples, me parece um caminho mais longevo e saudável na medida que me envolvo com o que realmente me faz melhor. É sendo e não tendo, que construo a minha bagagem interna que me acompanhará quando eu partir e que também me fará lembrado por aqui.
Questão de escolha.

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