O Espelho
que reflete nossas imagens revela muito pouco ou quase nada de nós mesmos.
Ocorre que somos quase sempre, uma imagem pela qual queremos e desejamos ser
reconhecidos em função de códigos aprendidos na infância, em casa, na escola, em
família.
Orientações
recebidas, valores trabalhados nos levaram para a edificação de uma
imagem que nos trouxesse conforto e aceitação social, e por isso, máscaras são
afiveladas escondendo sentimentos e desejos.
Assim,
podemos em alguns momentos de introversão perguntarmos: Quem eu sou mesmo? Qual
minha autonomia de identidade? Vivo minha vida espelhando o que os outros
esperam e querem de mim como um roteiro pré estabelecido? Como saber quem sou
de fato?
O curioso
é que essas respostas podem fluir enquanto olhando os outros, exatamente os
outros, nos identificamos em atitudes, gestos e pensamentos.
Mas o
tempo, senhor absoluto de tudo, se traz consigo as rugas, a incontinência, o
descontrole hormonal, enfim a velhice, traz também a serenidade e a maturidade
de percebermos que nossa transformação pessoal virá num processo definido por
nós mesmos, através da percepção de que sermos nós mesmos sem as máscaras
impostas, pode ser muito mais interessante e gratificante...para nós e para o
mundo!
Fazer
escolhas mais sentidas, mais profundas podem nos auxiliar nessa
transformação pessoal, e aí, só olhando para nós mesmos e entendendo que
os outros podem desejar o mesmo, podemos conhecer nossos desejos, o que
queremos e não queremos.
E isso é
bom demais, é libertador!
Reciclamos
antigas soluções, superamos julgamentos, nos livramos
das críticas a nós mesmos e principalmente aos outros, pois nos tornamos mais
tolerantes, gentis e sinceros quando quebramos nossos velhos e empoeirados
espelhos.
A
madrasta da Branca de Neve estava atrás disso, só que o espelho não lhe deu o
que queria enquanto ela buscava na
outra o que achava que não tinha.
Pena ela
não ter tido tempo para se redescobrir, pois provavelmente teria tido um final
feliz!



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