Bernardo parava todos os dias no mesmo estacionamento ao lado da empresa em que trabalhava. Naquele horário rotineiro estacionava um casal bonito e charmoso.
O homem se despedia da mulher e vestido com requinte descia espalhando seu perfume. A elegância de ambos chamava a tenção do advogado que em início de carreira sonhava com amigos influentes que pudessem ajudá-lo, o apresentando às pessoas certas...
Ele sabia
que mais um pouco e encontraria o homem no elevador.Tanto fez que uma conversa
rápida se iniciou e dali para o começo de uma amizade foi um pulo. Bernardo
entrou para a relação com o novo conhecido cheio de expectativas.
Certamente o
tal homem supriria sua necessidade de novos contatos, faria apresentações
interessantes para ele e o introduziria no pequeno e fechado círculo das
influências preciosas do mundo corporativo.
Ele tinha
aprendido com os pais que não se enterra o tempo na areia. Tudo precisa ser
feito com um propósito, racionalmente, pois a vida é jogo certo para aqueles
que sabem que precisam ganhar.
A verdade é que essa mentalidade já havia
trazido um tanto de frustrações e decepções para o advogado que muitas vezes esperava
retribuições e valorização em tudo o que fazia. Ele precisava ser visto, e ser
lembrado sempre, por todos. Raramente parava para observar os jogos de
manipulação que se estabeleciam nessas relações de toma lá , dá cá...
Os
convites feitos e recebidos sempre tinham um propósito, algum ganho ou
conquista envolvidos. Existem muitos Bernardos por aí. Calculando e medindo
suas ações pelo retorno social, afetivo e financeiro que possam trazer.
Há
sempre recompensa envolvida. Há sempre condicionamentos tácitos escondidos. Há
sempre manipulação em torno da entrega.
Mas sentimentos genuínos não são
mercadorias, moedas de troca. São construção, são alimento para nosso Espírito
sedento de autenticidade. Quando depositamos no outro nossa carência e vazio
esperando que o buraco interno (seja ele do tipo que for) seja fechado por
terceiros, entramos num jogo de exploração como Bernardo.
Se for
possível uma paradinha para nos avaliarmos, perceberemos que jogos de
manipulação nos distanciam de nós mesmos e do sentido de nossa existência.
Quem somos afinal? O que pretendemos e buscamos? Por que estamos aqui?
Não
viemos ao mundo para desempenhar papéis, para agradar aos outros, mas para
trilharmos o belo caminho do amar e respeitar a si mesmo, para que possamos
então amarmos e respeitarmos ao outro...
Se os
convites que fazemos para nossa mesa são condicionados a algum tipo de retorno
ou interesse pessoal, então nossa mesa é pobre e faminta. Abrir nossa
afetividade e assim nossos convites para relações sem interesse e vantagens é
edificar uma mesa leal, sincera e verdadeira, rica e nutritiva.
A alma se alimenta e se
fortalece.
Compartilhamos
então da mesa do Cristo Cósmico que definiu um bom convite do seguinte modo:
"Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem vossos amigos, nem
vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que forem ricos, de
modo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que assim, retribuam o
que haviam recebido de vós..." Jesus não está dizendo que não
compartilhemos o amor, mas que compartilhemos tudo por amor, desinteressados da
volta...


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