quarta-feira, 17 de outubro de 2018


A POLÍTICA , A POLITICAGEM E A RAIVA DE TODOS NÓS


Vivemos tempos raivosos: cheios de palavras não ditas e às vezes duramente ditas, discussões intermináveis, vídeos estranhos trocados e enviados de lá para cá, ofensas no Facebook, no WhatsApp e fora deles também...



Você diria que isso é normal, afinal numa democracia onde tudo deve ser discutido, falado, escolhido e votado é assim mesmo, demanda contradições, posições opostas e raiva, muita raiva...
Mas fico aqui, cá com meus botões, pensando em por que nos permitimos esses movimentos raivosos que na verdade nada constroem?! 
Há irmãos discutindo por um ou outro candidato, pais e filhos ironizando e depreciando a escolha do outro, amigos deixando que o rastro metafórico de uma política mal feita interfira em relações construídas por anos e anos a fio...
E como tudo passa, logo, logo um dos dois candidatos tomará conta do cargo e como presidente, fará tudo a seu modo, jeito e conveniência, (seja lá quem for) e deixará uma leva de frustrados, e ainda mais enraivecidos eleitores atrás de si!
E como estarão as relações machucadas nesse período? 
Como amigos retomarão a boa e velha cumplicidade? 
Como filhos e pais se olharão de novo com tudo que foi deixado no ar pelas palavras mal colocadas e explosões raivosas?
Na verdade se pararmos para pensar, nenhum dos candidatos que se apresenta, mereceriam uma só discussão contra ou a favor, de nossa parte, por motivos pessoais e partidários. 
Não se fez política nesta campanha, se fez politicagem. 
O que vimos foi uma enxurrada de notícias falsas, fofocas, disse me disse, denúncias... Mas nada, nadinha de nada de propostas positivas, efetivas e produtivas acerca do gigantesco e colossal número de desempregados que o Brasil tem atualmente...
Nada sobre como, e o que, se fazer para que todos os brasileiros que pagaram com um gigantesco sacrifício seu minguado INSS, recebam um dia a aposentadoria que por direito alcançaram. 
Paira no ar a sensação de que muitos de nós não conseguirá a tal da aposentadoria, o descanso merecido...


Não ouvimos nada efetivo e real sobre o que se fazer para cortar privilégios e penduricalhos pecuniários para algumas classes, em detrimento de uma esmagadora população sem trabalho, sem educação, sem saúde e sem esperança...
Se nossa raiva ao encontrarmos quem não pensa, sente ou vota como nós, fosse expressa como algo construtivo até valeria de algo, mas sabemos, eu e você, que lê esses pensamentos nesse momento, que não será assim...
E por uma razão bem simples: não se muda nada de fora para dentro, mas de dentro para fora. Temos representantes ruins, fracos, e comprometidos apenas consigo mesmo e com os seus, porque nós também somos, vivemos e pensamos assim. 
Nossos representantes refletem o que somos, sentimos e pensamos .
Não estamos fazendo a nossa parte individualmente, assim o reflexo coletivo é esse: catastrófico!
O dia que resolvermos olhar para dentro de nós, fazendo a faxina e a reforma de nossos valores, posturas, de nossa ética e moral, teremos candidatos envolvidos com a politica e não com a politicagem. 
Teremos programas eleitorais com propostas concretas baseadas no orçamento da união, no que de fato temos para gastar, com explicações de como será gasto esse dinheiro. 
Saberemos concretamente o que é possível ou não fazermos.
Mas se ainda em nossas vidas pequenas e particulares articulamos vantagens, manipulamos regras, abandonamos idosos (às vezes nossos próprios idosos) desrespeitamos crianças e exploramos uns aos outros quando se tem o poder e a força do trabalho, então o que podemos esperar de nossos representantes é o que está aí, para desespero e tristeza de uma maioria...
Tenho 58 anos e nunca me vi tão desanimada diante de um processo eleitoral. Me sinto vazia de esperança, daquela alegria sincera de que as coisas podem melhorar...mas apesar desse marasmo emocional e psíquico, optei por não repassar vídeos contraditórios, entrar em discussões das quais me arrependeria depois. 
Optei pela minha paz de espírito, já que não vi, ouvi ou percebi nada que pudesse me trazer a esperança de volta! 
Que possamos nesse segundo turno ter mais calma, respeito e consideração por aquele que pensa diferente de nós e que acima de tudo possamos aproveitar a lição preciosa de que ELES que disputam uma vaga aqui ou ali são reflexos de nós mesmos!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

MAHATMA GHANDI, MARTIN LUTHER KING, ANNE FRANK E A RESILIÊNCIA HUMANA


Mahatma Ghandi, Martin Luther King, Anne Frank.
O que teriam eles em comum? 

Nascidos em épocas e países diferentes, viveram situações incomuns, trilhando caminhos que refletiram posições, visões e percepções muito pessoais. Mas então retomamos a pergunta feita anteriormente, o que teriam em comum? Vamos descobrir juntos...

Mahatma Ghandi, ou a grande alma, assim conhecido em seu país, a Índia, viveu entre 1869 e 1948. 

Foi um líder pacifista, que liderou a independência Indiana sem derramar uma única gota de sangue, ao expulsar os Ingleses que dominavam e exploravam a então colônia britânica. 

Os prolongados jejuns e as longas marchas eram as ferramentas que ele usava para chamar a atenção do povo e organizar um movimento civil pelo não pagamento de impostos, principalmente o do sal. Adepto de uma filosofia branda que pregava sempre a não violência, acabou assassinado por um hindu rebelde um ano após a libertação da Índia do jugo Inglês. 




Marthin Luther King, pastor e ativista norte americano, viveu entre 1929 e 1968, lutou contra a discriminação racial e pelos direitos civis dos negros. 

Nessa época, no Sul dos Estados Unidos, respaldado pela lei, o transporte publico destinava aos negros apenas os assentos traseiros dos ônibus. Sempre separados dos brancos. 

Martin teve como referência, em suas campanhas pelos direitos civis dos negros, a filosofia de Gandhi da não violência. A luta pela igualdade de Martin, acabou resultando na declaração da Suprema Corte Americana da inconstitucionalidade de todas as leis de segregação racial. Os negros passaram então a se misturar aos brancos nos ônibus, a frequentar bibliotecas e lanchonetes que antes a eles eram vetadas. 

Em 1964 Martin ganhou o prêmio Nobel da Paz. 

Assim como Ghandi, acabou assassinado em Memphis, quando apoiava uma greve dos lixeiros da cidade.

A doce Anne Frank era judia alemã e viveu de 1929 a 1945. Ela,seus pais e irmã mudaram para a Holanda para fugir das leis de Hitler que perseguiam os judeus. 

Com a invasão da Holanda em 1940 pelos nazistas, as condições de vida pioraram muito para a família e em 1942 eles e mais quatro judeus foram obrigados a se esconderem em um anexo ao escritório de Otto Frank, pai da menina que estava então com 13 anos. 

Apavorados pelo medo de serem descobertos, mal alimentados e acuados pelas bombas que estouravam nas proximidades, a família ficou nesse esconderijo por dois anos até ser descoberta e enviada para campos de concentração separados.

 Anne registrou toda a experiência vivida nesse esconderijo, assim como seus mais variados sentimentos num diário que a pedido dela e depois de sua morte num campo de concentração aos 15 anos de idade, foi publicado pelo seu pai. Otto Frank foi o único sobrevivente da família. 

Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Anne Frank, são exemplos de resiliência emocional, uma capacidade que alguns seres humanos têm de lidar com problemas muito sérios e severos, superando obstáculos, pressões adversas e se adaptando a mudanças, buscando sempre o melhor apesar do pior a sua volta. 

O resiliente apesar da dor e das circunstâncias de sofrimento, não perde o controle, e recomeça a tarefa mesmo quando tudo dá errado. 

Diferentes desses grandes personagens da história humana, muitos de nós desanimam e desabam por bem menos:um amor não correspondido, a perda de um emprego, o convite para a festa tal que não chegou, o corte de cabelo que não ficou como se esperava, o carro novo riscado. 

Enfim coisas de nossos cotidianos distantes da guerra, do medo, da fome, da segregação racial e da ausência dos direitos humanos. 
O mundo é fato, melhorou. Mas e nós o quanto melhoramos ao lidarmos com as pressões extras, com as frustrações e limitações que fazem parte de nosso caminho? 

O quanto aprendemos com Ghandhi, Martin e Anne Frank?
Mas se não aprendemos, ainda há tempo, pois a resiliência pode ser treinada, exercitada a nosso favor.

Aqui algumas dicas que podem nos ajudar a ver o pior como alavanca para o melhor e a dor como ferramenta de crescimento.
1.) Temos que trabalhar em nós a mudança como algo positivo, que nos faz aprender coisas novas e a evoluir, por mais difícil que seja sairmos da zona de conforto. Novos olhares e novas perspectivas trazem novas dinâmicas de vida.
2.) Buscarmos compreender que os momentos de estresse passam por mais estragos que façam em nossas vidas. Tudo passa, o bom e o ruim também. Pensando assim fica mais tranquilo atravessarmos as crises e trabalharmos nosso autocontrole.
3.) Somos duros com nós mesmos, estabelecemos metas irreais e críticas severas quando não as alcançamos. Metas menores, mais ajustadas a nossa capacidade do momento são mais fáceis de realizarmos.
4.) Conheça a si mesmo, com as suas dificuldades e facilidades. Respeite-se e cuide-se entendendo que com paciência, lucidez e calma somos capazes de grandes revoluções internas.  
5.)Instrua-se.Busque informações, conteúdos de valor e conhecimentos em livros, cursos, com profissionais e acima de tudo com grandes representantes da qualidade que está buscando exercitar. 

Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Anne Frank nos deixaram um grande legado quando pensamos em resiliência e na conquista de nós mesmos.

Nada pode ser maior do que nossa capacidade de superar, resolver, decidir e se colocar.
Assim eles nos ensinaram!



O TAMANHO DA VONTADE QUE NOS DIRIGE


O que verdadeiramente nos torna diferentes dos animais, já que sabemos que eles possuem um sistema orgânico muito semelhante ao nosso, além do instinto de conservação, comum a todos os seres vivos? 
 

O que de fato nos torna únicos nesse Sistema Planetário? 

É sem dúvida nosso livre arbítrio, ou seja a capacidade que possuímos de escolher ações e caminhos de forma consciente e responsável, isso é, assumindo consequências, sejam elas quais forem. Mas por trás deste poder de escolha que nos define como racionais, há algo fundamentalmente único e que nos empurra para frente.


É a nossa vontade!
A vontade, é uma força interior que nos impulsiona a realizar algo por maiores sejam as dificuldades e obstáculos a enfrentarmos. Buscamos diante do desconhecido, diante do medo e das incertezas, ânimo, determinação e firmeza.


Essas são alavancas poderosas, que quando acionadas nos fazem chegar lá...


Mas como dar o start nestas alavancas? Como colocá-las em ação a nosso favor? Simplesmente trabalhando cada uma delas dentro de nós.

Fazendo uma analogia bem simples: Todo sedentário desconhece os benefícios dos exercícios físicos pois há geralmente barreiras a serem superadas antes de começar a se exercitar: preguiça, acomodação, falta de tempo, enfim, só para citar algumas...

Porém quando esse indivíduo movido pela vontade, decide que vai se exercitar, cada uma dessas barreiras vai sendo superada e esquecida, e, a medida que começa a emagrecer e ganhar musculatura, quase sempre esse sedentário se arrepende de ter acionado sua vontade tão tardiamente.
Assim é com o ânimo, a determinação e a firmeza, quando decidimos fazer valer a nossa vontade. 


Arregaçamos as mangas, passamos por cima de clichês mentais, reorganizamos prioridades em nossas vidas e valorizamos cada minuto na realização de nosso querer.


Creio que essas alavancas existem dentro de todos nós, mas muitas vezes, por desuso acabam encostadas como ferramentas esquecidas e enferrujadas. E aí basta azeitá-las, engraxá-las com nosso desejo sincero de alcançar e buscar, para que voltem a ser úteis nos motivando a vontade!
Simples assim : questão de acionar e usar...

Há um livro que me inspira muito e que se chama "Pensamento e Vida" de autoria de Emmanuel e Chico Xavier que define "vontade" como um gerente vigilante e esclarecido que governa todos os setores de nossas ações mentais. 

Isso significa que podemos agir sempre movidos pela nossa vontade. É esse gerente mental que vai nos dar força para enfrentarmos dores, falta de sono, má vontade nossa com o novo, preconceito, ideias negativas e autodestrutivas, tudo enfim que nos inspira a não movimentar nossa vontade. 


A diferença entre as pessoas que alcançam objetivos, desejos e sonhos daquelas que não alcançam, é quase sempre o mal uso da vontade, dessa força interior inerente a todos, e que não foi acionada. 

Sem acioná-la não há como desenferrujar o ânimo, a firmeza e a determinação. 

Como nos exercícios físicos que causam dor no início em função da produção de ácido lático, o começo das atividades movidas pela vontade vão trazer um certo desconforto e apego a zona de conforto deixada de lado. 


Mas isso é só no começo, pois quando realmente nos envolvemos e nos entregamos de corpo e alma a algo que queremos realizar, realizamos, alcançamos e fazemos.


O mais incrível é que isso contamina positivamente o nosso entorno, assim muitas pessoas de má vontade, vontade fraca, ou pouca vontade, acabam tocadas pela realização alheia e passam a alimentar em si essa fantástica capacidade de fazer que todos nós possuímos.


NOSSA HISTÓRIA E NOSSA MEMÓRIA


O que cabe em nossa memória?
Que tipo de lembranças nos interessa guardar ou descartar?   
Há limites para registrarmos em nosso disco rígido mental informações e conteúdos?



Não sou especialista no assunto, e , nem milito nessa área, mas tenho minhas suposições por uso contínuo, graças a Deus,  nesses 56 anos de caminhada.

Acredito em memória seletiva. Naquele tipo de memória que guardamos por escolha, por ser importante e estar ligada a questões de sobrevivência, tais como meu tipo sanguíneo e dos meus filhos, número de RG e CPf , o que posso e não posso comer, por exemplo.

Também creio em memória afetiva acessada por uma música que nos fez sonhar um dia, pelo cheiro gostoso da comida da nossa infância, pelo perfume de alguém que amamos.
Lembranças que nos remetem a sensações de prazer e alegria e que parecem estar lá em nossa memória, prontas a serem acionadas.


Parece que temos um arquivo sensorial rigorosamente organizado, por assuntos: coisas boas, coisas mais ou menos boas, momentos difíceis, alegrias, tristezas, conhecimentos. Tudo perfeitamente arquivado, para ser acessado no momento exato.

É...Mas nem sempre é assim, pois nossa memória, essa cúmplice e testemunha permanente de nossos atos, pode falhar, e falha. No blog "Mundo da Psicologia" são citados 12 motivos para isso: estresse, depressão, ansiedade, falta de sono, bebidas, drogas, deficiência de vitamina b 12 e hipotiroidismo estão lá entre outros.

São muitas as razões, indo desde o estilo de vida, de comportamento social, condições de saúde, enfim, muitas variáveis que vão depender de cada pessoa, de sua maneira de ser e viver.



Há caminhos para darmos uma turbinada na memória, pois assim como nossos músculos precisam de estímulos para renderem mais, nossas conexões neuronais também. No blog "Tua saúde"  tem uma listinha de exercícios tais como:  jogo das diferenças, caça palavras, quebra- cabeças, ler um livro e depois contar para alguém, fazer uma lista de compras e tentar memorizá-la, fazer atividades estimulantes como teatro e dança. 

Para ficar mais feliz com a memória você pode acessar também www.minhavida.com.br.
Lá você encontra 21 exercícios de neuróbica para afiar seu cérebro

A TRANSFORMAÇÃO EXTERNA EM NÓS


Quem viu Elizabeth Taylor na pele de Cleópatra, lembra dos irresistíveis olhos azuis da atriz valorizados pela típica maquiagem egípcia... 




Alias foi lá no Antigo Egito, que começou essa busca pela transformação física feminina e também masculina, através dos cosméticos.

Conta a história, que os faraós usavam perucas coloridas para distinguirem-se socialmente. Os olhos eram considerados pontos essenciais de beleza. A pele das mulheres muito clara, tinha que ser banhada em leite, de preferência de jumenta. 

Já o primeiro creme facial, surgiu 150 anos antes de Cristo pelas mãos do físico Galeno. Ele descobriu um creme orgânico que misturava água, mel de abelha e azeite. 
(Fonte www.ahistória.com.br/maquiagem/)

Vaidosa, a humanidade vem se transformando de tendência em tendência, de lá para cá, movimentando um mercado com valores bem expressivos.

Aqui no Brasil, onde os primeiros habitantes a se maquiarem foram nossos ancestrais indígenas, nem mesmo a crise e a alta do dólar deixaram a makeup borrar.

Somos o terceiro mercado consumidor de produtos ligados à beleza, somente atrás da China e Estados Unidos. No ano passado, e de acordo com o programa Conta Corrente da Globo News, o faturamento do setor foi de R$101 bilhões, o que corresponde a 1,8% do nosso produto interno bruto.

A explicação, arrisco eu, em pensar, vem do fato de a maioria de nós ser movida pelo desejo autentico de estar mais bonita e atraente primeiro para si mesma e depois para os outros, homens e mulheres. 
Que mulher não fica satisfeita com o elogio de outra?
E olha que transformação um lápis, uma paleta com três cores neutras, uma base e um batom podem fazer?!
Nos transformamos em outras mulheres. Mais poderosas, mais cientes de si, mais felizes na frente do espelho. 
Julguem vocês pelas fotos aqui . 

De repente roubamos a cena em casa, no transporte público, no trabalho. 



Me atrai muito a sensação de mudança que a maquiagem nos dá. Olhos  apagados ganham luz com a cor certa, com um delineador bem marcado. 
Bocas quase sem expressão ficam atraentes com um batom, até mesmo se for nude, bem discreto.  

Acho mesmo que tudo sempre pode melhorar: Repintar a casa onde moramos, emagrecer uns quilinhos, fortalecer a musculatura, aprender algo novo, assimilar novos hábitos, fazer um curso há muito desejado, mudar de profissão. 

Tudo pode trazer transformação interna e externa.

Assim, a maquiagem entra na minha listinha de auto transformação. Ah! Não posso esquecer dos cabelos, esses são minha obsessão.Um bom assunto para outro post.

Então fica de olho, bem maquiado por sinal, pois existem  cursos bons e baratos para aprendermos a valorizar o que temos de bonito, e anda escondido em nós...    

ESPELHO, ESPELHO MEU, AFINAL QUEM SOU EU?





O Espelho que reflete nossas imagens revela muito pouco ou quase nada de nós mesmos. Ocorre que somos quase sempre, uma imagem pela qual queremos e desejamos ser reconhecidos em função de códigos aprendidos na infância, em casa, na escola, em família.

Orientações recebidas, valores trabalhados nos levaram  para a edificação de uma imagem que nos trouxesse conforto e aceitação social, e por isso, máscaras são afiveladas escondendo sentimentos e desejos.

Assim, podemos em alguns momentos de introversão perguntarmos: Quem eu sou mesmo? Qual minha autonomia de identidade? Vivo minha vida espelhando o que os outros esperam e querem de mim como um roteiro pré estabelecido? Como saber quem sou de fato?

O curioso é que essas respostas podem fluir enquanto olhando os outros, exatamente os outros, nos identificamos em atitudes, gestos e pensamentos. 

Aí quase sempre o que nos estarrece e espanta no comportamento alheio é também aquilo que grita em nós...O espelho que nos mostra os outros, revela muito de nós mesmos...

Mas o tempo, senhor absoluto de tudo, se traz consigo as rugas, a incontinência, o descontrole hormonal, enfim a velhice, traz também a serenidade e a maturidade de percebermos que nossa transformação pessoal virá num processo definido por nós mesmos, através da percepção de que sermos nós mesmos sem as máscaras impostas, pode ser muito mais interessante e gratificante...para nós e para o mundo!

Fazer escolhas mais sentidas, mais profundas podem nos auxiliar nessa transformação pessoal, e aí, só olhando para nós mesmos e entendendo que os outros podem desejar o mesmo, podemos conhecer nossos desejos, o que queremos e não queremos.

E isso é bom demais, é libertador!

Reciclamos antigas soluções, superamos julgamentos, nos livramos das críticas a nós mesmos e principalmente aos outros, pois nos tornamos mais tolerantes, gentis e sinceros quando quebramos nossos velhos e empoeirados espelhos.


A madrasta da Branca de Neve estava atrás disso, só que o espelho não lhe deu o que queria enquanto ela buscava na outra o que achava que não tinha.
Pena ela não ter tido tempo para se redescobrir, pois provavelmente teria tido um final feliz!


CRER SEMPRE, EIS A QUESTÃO


 

 

 Nascemos todos com um sentimento instintivo da existência de algo maior que nós em tudo. Em sabedoria, em poder, em inteligência. 

Junto com esse sentimento temos, alguns a impressão e outros a convicção, de que essa força e poder nos assiste e acompanha sempre.

 Às vezes como mero observador, às vezes como interventor, e nesse caso, quase sempre a nosso pedido.  O curioso é que crentes se acham em tempos, civilizações, contextos culturais e comunidades as mais diversas.

 Já parou para pensar que o aborígine da distante Austrália, nosso índio, assim como o homem interiorano, litorâneo e urbano de todos os recantos do planeta, simples, culto, pobre, rico, possui em si a semente desse sentimento de "algo maior"?  

Cultuamos as forças da natureza, os deuses do olimpo, imagens santas, medalhas, pedras, amuletos, totens, estátuas, enfim qualquer coisa que nos conecte com o Divino, sim o Divino que segue à parte, mas em nós...                                                   

Mas  e os que não creem? Sim há os que não creem pelos mais variados motivos, e que merecem nosso respeito, mas que não serão objeto desse post. 

Pois que aqui, nesse momento,  falamos de uma chancela, um selo divino que nasce com cada um de nós (inclusive com os que não creem) e segue em nós, por vezes pequenino, por vezes tão grandioso que chama a atenção por onde passa, arrastando seguidores aos milhares... falamos da fé.        

Mas afinal o que é a fé e por que em algumas pessoas é tão consistente e em outras tão frágil?

Fé é para mim aquela convicção a despeito de qualquer situação que estamos vivendo de que no fundo, no fundo, tudo o que nos acontece é para melhor. Sim para melhor por pior que momentaneamente nos pareça. E essa convicção é calcada naquele sentimento que falamos lá em cima e que nos acompanha, de que há sim uma Sabedoria Divina a nos guiar, uma Inteligência criadora que rege a tudo e a todos.


É a fé. Chamada também de instinto que faz com que algumas espécies de animais se isolem quando sabem que vão morrer, que os cachorros pressintam quando seus donos vão chegar, que as tartarugas recém nascidas caminhem até o mar para sobreviver, que a despeito de muitos fracassos e dores o ser humano ainda creia que viver é uma grande e linda viagem...

Ah a fé...Essa força instintiva que traz consigo enorme potencial de transcendência e poder. A fé é irmã da esperança, prima da alegria, mãe da aceitação e por isso dona da saúde.

Viver com ela é remover as nossas montanhas internas, nossas crenças limitantes, nossos medos e escuridões.  É devassar cavernas seculares de opressão e domínio. É ser livre.

Por ser tudo isso, Jesus dizia que se tivéssemos a fé do tamanho de um grão de mostarda tudo poderíamos...

E aí, como anda a sua fé?



O CONVITE




Bernardo  parava todos os dias no mesmo estacionamento ao lado da empresa em que trabalhava. Naquele horário rotineiro estacionava um casal bonito e charmoso. 

O homem se despedia da mulher e vestido com requinte descia espalhando seu perfume. A elegância de ambos chamava a tenção do advogado que em início de carreira sonhava com amigos influentes que pudessem ajudá-lo, o apresentando às pessoas certas...

Ele sabia que mais um pouco e encontraria o homem no elevador.Tanto fez que uma conversa rápida se iniciou e dali para o começo de uma amizade foi um pulo. Bernardo entrou para a relação com o novo conhecido cheio de expectativas. 

Certamente o tal homem supriria sua necessidade de novos contatos, faria apresentações interessantes para ele e o introduziria no pequeno e fechado círculo das influências preciosas do mundo corporativo.

Ele tinha aprendido com os pais que não se enterra o tempo na areia. Tudo precisa ser feito com um propósito, racionalmente, pois a vida é jogo certo para aqueles que sabem que precisam ganhar. 

A verdade é que essa mentalidade já havia trazido um tanto de frustrações e decepções para o advogado que muitas vezes esperava retribuições e valorização em tudo o que fazia. Ele precisava ser visto, e ser lembrado sempre, por todos. Raramente parava para observar os jogos de manipulação que se estabeleciam nessas relações de toma lá , dá cá...

Os convites feitos e recebidos sempre tinham um propósito, algum ganho ou conquista envolvidos. Existem muitos Bernardos por aí. Calculando e medindo suas ações pelo retorno social, afetivo e financeiro que possam trazer. 

Há sempre recompensa envolvida. Há sempre condicionamentos tácitos escondidos. Há sempre manipulação em torno da entrega.

Mas sentimentos genuínos não são mercadorias, moedas de troca. São construção, são alimento para nosso Espírito sedento de autenticidade. Quando depositamos no outro nossa carência e vazio esperando que o buraco interno (seja ele do tipo que for) seja fechado por terceiros, entramos num jogo de exploração como Bernardo.

Se for possível uma paradinha para nos avaliarmos, perceberemos que jogos de manipulação nos distanciam de nós mesmos e do sentido de nossa existência. Quem somos afinal? O que pretendemos e buscamos? Por que estamos aqui? 

Não viemos ao mundo para desempenhar papéis, para agradar aos outros, mas para trilharmos o belo caminho do amar e respeitar a si mesmo, para que possamos então amarmos e respeitarmos ao outro...

Se os convites que fazemos para nossa mesa são condicionados a algum tipo de retorno ou interesse pessoal, então nossa mesa é pobre e faminta. Abrir nossa afetividade e assim nossos convites para relações sem interesse e vantagens é edificar uma mesa leal, sincera e verdadeira, rica e nutritiva.
A alma se alimenta e se fortalece.

Compartilhamos então da mesa do Cristo Cósmico que definiu um bom convite do seguinte modo: "Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem vossos amigos, nem vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que forem ricos, de modo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que assim, retribuam o que haviam recebido de vós..." Jesus não está dizendo que não compartilhemos o amor, mas que compartilhemos tudo por amor, desinteressados da volta...