terça-feira, 4 de julho de 2017

TUDO PROGRIDE E EVOLUI, DO HOMEM AOS PLANETAS


Quando pensamos em Deus, nosso Pai , impossível imaginá-lo inoperante deitado sobre nuvens a dar ordens aqui e ali, pois essa é uma imagem humana, muito orgulhosamente humana. 

Deus, segundo Jesus nos disse um dia, nunca pára de trabalhar. 
Ele cria o tempo todo, age pelo bem e para o bem de seu Universo, infinito em tudo. 

Nossa limitada capacidade intelectual e moral não nos dá condição alguma de sequer vislumbrar o imenso acervo da obra Divina. 
Somos pequenos demais para isso...

Mas com humildade, uma certa dose de boa vontade e desejo de estudar para diminuir nosso colossal desconhecimento acerca da vida espiritual e de Deus, nosso Pai, temos a nos auxiliar o Evangelho Segundo o Espiritismo, organizado pelo grandioso Allan Kardec e resultado da colaboração de inúmeros espíritos de condição muito mais evoluída do que a nossa...



Santo Agostinho de Hipona (354 - 430) é um desses espíritos.
Nascido em Tegaste, norte da África, esse filósofo, escritor e teólogo cristão, deixou uma obra poderosa sobre as relações entre a fé e a razão, o Estado e a religião. 

Em espírito depois de desencarnado, participou da elaboração do Evangelho Segundo o Espiritismo colaborando com várias mensagens.

Em uma dessas mensagens, psicografada em Paris em 1862 e que encontramos no capítulo 3 do Evangelho Segundo o Espiritismo, Santo Agostinho fala com muita propriedade da progressão dos mundos. 

Tema que em tempos de miséria, crueldade e sofrimento aqui na nossa Terra, nos enche de esperança e alegria.

É isso que quero compartilhar com você nesse post.



Nossa pequenina Terra que você enxerga aí como um pontinho em relação a outros planetas da via Láctea, já foi a bilhões e bilhões de anos um mundo primitivo, onde as forças telúricas da criação se entrechocavam para a organização planetária. 

Bola incandescente de fogo, a Terra então se agitava buscando futuras formas de vidas a espera de manifestarem-se.

Almas recém saídas das mãos do Criador, ensaiando seus primeiros passos acionados pelo livre arbítrio, ainda engatinhando entre as forças optativas do bem e do mal, temos no homem de Neandertal, nosso mais conhecido ancestral. 
Nessa época de inclemência climática, o desenvolvimento se dava mesmo que lenta e gradualmente e os grandes desafios humanos eram mais ligados às questões de se manter vivo. 


Foram tempos duros de muita luta pela sobrevivência, caçar para comer e fugir de animais gigantescos. Mas a inteligência rudimentar estava se desenvolvendo e com o tempo as coisas foram melhorando, se organizando...

Um passeio  pela história humana e relembraremos todas as etapas de crescimento da civilização. 

Aqui não caberia enumerá-las, mas basta termos em mente que a primitividade da Terra foi se modificando e hoje altamente tecnológica, avançada na medicina, engenharia e relações sociais, é outro planeta, outro mundo.

Porém...pena que há sempre um porém...


O egoísmo, o orgulho,  o apego ao poder, a vaidade, o domínio falam mais alto ao coração humano e moralmente a Terra tem ainda uma população atrasada, em descompasso com as Leis Divinas de fraternidade e Amor ensinadas por Jesus...

Ainda somos indiferentes a dor alheia, ainda temos o hábito de cultivarmos o olhar para o nosso umbigo. 

Por isso, somos um mundo onde o mal prevalece sobre o bem , a miséria prevalece sobre a abundância, o egoísmo sobre a fraternidade. 

Somos um mundo onde o sofrimento físico e moral, resultado de nossas próprias escolhas, nos causando enormes dissabores. 

Nosso planeta é de provas e expiações.

Veja na imagem abaixo o que isso significa...

 

Aí recuperamos Santo Agostinho que nos explica o seguinte: 

  • Estamos todos sujeitos ao progresso que é uma lei da natureza, a qual todos os seres da criação animados e inanimados estão submetidos pela pela vontade e pela bondade de Deus.
  • Seu desígnio é que tudo se desenvolva e prospere. 
  • A própria destruição que parece às pessoas o término das coisas é apenas um meio de alcançar pela transformação um estado mais perfeito.
  • Tudo morre para renascer e coisa alguma se precipita no nada.
  • Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos progridem materialmente.
  • Quem acompanhasse um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeravam seus primeiros átomos iria vê-lo percorrer uma escala progressiva ao mesmo tempo que os seus habitantes.


Assim, se nós humanos soubermos trabalhar nossas virtudes, buscando como disse o apóstolo Paulo que viva em nós o homem novo balizado pelos ensinamentos do Cristo e que morra o homem velho, escravo dos desejos mais vis, veremos a mudança de nossa mãe Terra de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração, mais feliz...


Viver num planeta regenerado é a calmaria após a tempestade, a convalescença após a doença cruel.

Menos absorvidos pelas coisas materiais entreveremos melhor o futuro. 

Seremos então mais capazes de compreendermos as alegrias que  nos prometeu Jesus...


Quando nós aqui na Terra caminharmos moralmente buscando a prática 
sincera do bem, nosso Planeta também caminhará para se tornar um planeta 
de regeneração, bem mais feliz do que o vemos hoje. 
Na Terra então,  o respeito e o amor ao próximo e ao ser vivo, assim como ao 
nosso meio ambiente será algo natural a todos...
Só depende de nós...

 
 








quarta-feira, 24 de maio de 2017

A MÁGOA, OS RESSENTIMENTOS E AS DOENÇAS


 O dicionário define a mágoa como um sentimento comum aos seres humanos e que é sinalizado por uma sensação provocada a partir de uma ato indelicado, decepcionante e ofensivo da parte de outra pessoa. Esse sentimento é permeado de um desconforto que pode durar muito, às vezes até para sempre...
Mas por que nos sentimos magoados? o que nos leva a dar a alguém o poder e o direito de nos magoar? 
Algumas possibilidades de respostas para essas perguntas apontam para dois sentidos. O primeiro deles, é que quase sempre criamos expectativas em relação a nós mesmos, tais como nossa performance em determinado campo de atuação, e pior ainda, quando criamos expectativas em relação aos outros, sem  ao menos que essas pessoas saibam disso... 

A segunda possibilidade é a de que não acreditamos que a traição, seja ela em que nível for, vá algum dia nos atingir. Vivemos como que aparte desse tipo de ação tão dolorosa e sofrida. 
Cremos que seremos plenamente respeitados e amados por todos, afinal, não merecemos isso não é? 
Ocorre que não é incomum transferirmos para o outro ou outros, a responsabilidade por nos fazerem felizes. Esperamos, ansiamos e acreditamos que os outros tem em mãos um manual que explica, define e demonstra como agirem para nos realizarem plenamente. Esquecemos que toda e qualquer relação é construída cotidianamente com momentos alegres, receptivos e leves e outros frustrantes, repulsivos e angustiantes...Esquecemos que essa dicotomia é nossa essência humana, polarizada e diversa, por isso mesmo naturalmente rica e poderosa. 
Mas se assim é em função da diversidade humana, como agir para nos protegermos e aos outros também desse complexo sentimento que é a mágoa?
Penso em duas orientações bem básicas que nos foram deixadas pelo maior de todos os conhecedores da psiquê humana, que foi Jesus. 

Sabiamente, o mestre dos mestres, diz que a tolerância e o cotidiano exercício de nos colocar no lugar do outro, são grandes auxílios para minimizar os efeitos da mágoa em nós. 

Antes de agir, pensar como eu me sentiria se outra pessoa fizesse comigo aquilo que estou pretendendo fazer com ela...Se eu for a pessoa magoada, refletir do porquê tal pessoa fez aquilo comigo, e então buscar a conversa, para a reconciliação ou para o esquecimento. 
Há uma grande vantagem para assim agirmos segundo a recomendação de Jesus, que é a prevenção de algumas doenças. A mágoa, a raiva e o ressentimento são alavancas poderosas que nascem no espírito e se manifestam no corpo com o tempo. Ocorre que somos uma tríade: espírito, corpo e perispírito. 

Explicando melhor, segundo a Doutrina Espírita, entre o corpo que (sente e manisfesta as doenças) há o perispírito (uma ponte com características materiais e espirituais) que o liga ao espírito ( sede dos nossos sentimentos, razão e essência).
 Assim, sentimos a mágoa e o ressentimento no espírito, impregnamos nosso perispírito com esses sentimentos, que por sua vez, como um mata borrão irá levar ao corpo, que então traduzirá esses sentimentos como doenças. As mais variadas doenças... 
Por isso Jesus aconselhava a tolerância, o perdão e o esquecimento das ofensas, pura questão de inteligência e sobrevivência psíquica. 
Sabemos que não é tarefa fácil e só mesmo os corajosos conseguem sacudir a poeira e dar a volta por cima. 

Mas buscar o melhor está também em nossa essência humana e assim tentar pôr em prática ensinamentos tão preciosos, é um grande exercício de compreensão e convivência humana.  
Quem sabe um dia, a palavra mágoa desaparecerá de nossos dicionários, como um verbete arcaico e sem uso? 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

VOCÊ TEM MEDO DA MORTE? o QUE AFINAL É MORRER?

Transcender. 
Elevar-se, ir além dos limites.                
Assim penso na condição do meu filho mais novo, Fernando, que há dez anos  mudou-se, voltando para o verdadeiro lar de todos nós, nossa pátria espiritual. 








Ele transcendeu no dia 4 de Abril de 2007. Amanhã fará 10 anos.
 Mas não enxergo a morte com um fim, como uma separação irremediável, cercada de um profundo sentimento de desolação e vazio eternos ... Não mesmo.

 A morte para mim é vida mais além que segue plena. Além da pequenez de nossas paixões materiais, além de nossas disputas ininterruptas por desejarmos ser sempre mais que os outros, além da nossa tola vaidade humana, além de nosso desmedido e pobre orgulho. Além de nosso abominável egoísmo.

Os que transcendem deixam para trás todas as suscetibilidades naturais do corpo material, perecível e finito. Mas levam consigo a verdadeira bagagem, parte permanente do Espírito eterno e imortal. A bagagem que cabe no coração e foi amealhada na vivência terrena.




Levam o amor se o viveram e o espalharam. 
Levam o respeito se o cultivaram por si mesmo e pelo próximo. 
Levam as virtudes se essas foram metas buscadas. 
Levam a paz de espírito se as leis Divinas gravadas em suas consciências foram seguidas.
 Levam o conhecimento e a cultura se delas se ocuparam. 
Levam a certeza da continuidade mais além se essa crença alimentaram.
E então, a despeito de toda a saudade, que também levam consigo, despertam tranquilos.          

Assim como todos nós despertamos todos os dias seguidos de nossas noites de sono. 

Morrer é dormir para acordar em outra dimensão bem melhor do que antes. Tenho a serenidade de crer que meu filho Nando está assim, bem melhor do que antes. Embora aqui tenha deixado o amor, amizades, ternura, afeto e outras tais conquistas que nos fazem mais plenos. 
Embora tenha bem vivido a vida dos 25 anos com que Deus lhe presenteou.                          







Morrer é passar pela linda e inevitável metamorfose  da lagarta para a borboleta. Vale a comparação: aqui caminhamos sob pesados fardos materiais que nos causam as mais complexas necessidades e literalmente nos arrastamos. Lá, livres do peso constrangedor do casulo corpóreo, volitamos como as borboletas em nossos mais lindos sonhos.

Mas será que todos nós acordamos assim tão tranquilos e resignados, entendendo nossa nova situação e desfrutando disso?Bem aí vai depender de como vivemos a vida, dos caminhos que escolhemos, das sementes que plantamos, do bem que cultivamos e compartilhamos.
A cada um segundo sua obra como disse um dia, Jesus. Para bem morrer precisamos bem viver.

 Lembrando sempre que estamos aqui de passagem com hora, dia e momento para voltarmos e por isso é tão fundamental nos prepararmos. Nos prepararmos para o perdão incondicional que nos fará mais leves. Nos prepararmos para agregarmos conhecimento e cultura, bens que ninguém nos tira. Nos prepararmos para o desenvolvimento de nossa moral, única credencial que nos representará lá em cima. 

Nos prepararmos para o desprendimento e desapego da matéria que nos aprisiona causando dor.A vida é linda e viver é uma viagem fantástica, lúdica e preciosa. Se compreendemos isso e vivemos valorizando o que realmente importa e o que cabe dentro de nós, então morrer não é nada terrível como fomos ensinados a achar e sentir. 


O tabu da morte acaba sendo desmistificado quando entendemos que Deus nos fez para o amor, assim não faz sentido as separações definitivas entre os que se amam. Acredito portanto no "até breve", no "até lá", no "te encontro quando a chegar a minha hora"...




A morte é apenas a passagem de volta pra casa. A casa de nosso Pai, criador de tudo e todas as coisas. A casa do Pai Amor. 

Que possamos lembrar os que amamos e partiram, com flores, cantos, preces, alegria, leveza e um tantinho de bom humor, afinal eles continuam livres, leves e íntegros. Certamente não gostam de ser reverenciados como fantasmas assustadores ou ainda como santos que não são.

Assim, parafraseando o Nando que se estivesse aqui diria : "Valeu moleque!" termino esse post lembrando o grande escritor e pensador Fernando Pessoa,  também hóspede lá de cima, dizendo como ele: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!"

SÓCRATES E PLATÃO: OS PRECURSORES DO ESPIRITISMO

As grandes verdades não surgem do nada. Para que sejam percebidas e assimiladas é necessário um trabalho preparatório.
É preciso adubar a terra para então semeá-la.
Deus em sua infinita sabedoria e Amor assim preparou o campo, nossa pobre e depauperada humanidade, para a semeadura de novas ideias, conhecimentos e acima de tudo, para que estivéssemos minimamente preparados para enxergar a luz, quando Jesus viesse em nosso socorro.  

Enviou-nos quase cinco séculos antes do Cristo, o grande Espírito e filósofo Sócrates. Nascido em Atenas, no ano 470 AC, ele veio preparar, regar e balançar mentes e corações com conceitos até então desconhecidos, e por isso mesmo, desconcertantes.

Sócrates pregava uma revolução de ideias muito semelhantes as do Cristo, farol aceso por Deus, em nossa escuridão mental. Dizia ele para a juventude Ateniense que o seguia que: "Jamais se deve retribuir uma injustiça com injustiça, nem praticar o mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito." - Encerrava esse pensamento Cristão, emendando o seguinte recado:  "Poucas pessoas, entretanto, admitem esse princípio e as que não concordarem com ele nada mais farão que se desprezarem mutuamente"

Não encontramos aí claramente, o princípio da fraternidade e da caridade Cristãs que nos ensina a perdoar os nossos inimigos e nunca retribuir o mal com o mal?Quer mais um pouco do pensamento Socrático? Dizia o filósofo: "É pelos frutos que se reconhece a árvore. É necessário qualificar cada ação segundo o que ela produz. Intitulá-la má se dela provir o mal. Boa, se dela nascer o bem."

Muitas vezes a expressão "pela árvore que se conhece os frutos" aparece no evangelho do Cristo. Aprendemos que somente tendo bons pensamentos e bons sentimentos em relação a nós e ao nosso próximo é que produziremos bons frutos. 
Isto é, teremos atitudes compatíveis com o bem a favor de nós e dos outros.
Sócrates também dizia que: "A riqueza é um grande perigo. Toda pessoa que ama a riqueza não ama a si nem ao que é seu, ama algo que lhe é ainda mais estranho do que o que lhe pertence."

Jesus não nos recomendava a simplicidade e o desapego?
Jesus disse textualmente que "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus" - Camelo, que é um cabo grosso, em aramaico, realmente não passaria pelo buraco de uma agulha.
Assim como ambição, egoísmo, vaidade e orgulho, são entraves para a paz de espírito e de consciência. Esse é o reino dos Céus: consciência limpa.Jesus, 

Sócrates e Platão assim pensavam e agiam.

Filosoficamente, o caminho que Sócrates e Platão trilhavam a respeito do ser, de nossos destinos e dor era embasado pelo seguinte pensamento:"O ser humano é uma alma encarnada, antes de sua encarnação, ele existia unido aos tipos primordiais, às ideias da verdade, do bem e do belo. 

Separando-se delas ao encarnar, e lembrando-se de seu passado, fica mais ou menos atormentado pelo desejo de a elas retornar."

A doutrina Espírita, ao mesmo tempo, filosofia, ciência e  religião diz o seguinte a esse respeito:" Aqui fica clara a separação do princípio inteligente (sede do espírito) do princípio material ( corpo do qual nos servimos nas experiências terrenas). Sócrates se refere a preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva do outro mundo, e ao qual aspira voltar"

Apenas para concluir sua leitura e não cansá-lo demais, vai aqui uma última consideração sobre mais um entre os muitos pontos em comum entre os pensamentos Socrático, Cristão e Espírita.Falamos agora das dificuldades em apreciarmos a Verdade mergulhados num corpo físico que nos suscita as mais terríveis necessidades.

Filosofa Sócrates: "A alma se extravia e se perturba quando se serve do corpo para apreciar qualquer objeto, tem vertigens como se estivesse embriagada, porque se agarra às coisas que são, pela natureza delas, sujeitas às mudanças. Mas se contempla sua própria essência, coloca-se em direção ao que é puro, belo, imortal, e sendo essa sua natureza, permanece aí conectada o mais prolongadamente que puder. Então seus extravios cessam, pois está unida ao que é imutável. Isso é sabedoria"

Arremata o Espiritismo:" A pessoa que considera as coisas a partir de baixo, do ponto de vista material, ilude a si mesma. Para apreciá-las com justeza, é necessário contemplá-las do alto, ou seja do ponto de vista espiritual. 

O verdadeiro sábio, deve então de qualquer maneira, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do espírito." Por pensar assim, Sócrates foi condenado a morte, bebendo cicuta e se entregou ao desfecho, sereno e em paz.
Jesus por pensar assim, foi condenado a cruz e partiu pedindo por nós em nossa profunda e ancestral ignorância.

Ambos não deixaram nada escrito. 

O trabalho de registro de tão profunda sabedoria e verdade coube aos discípulos de Sócrates, mais particularmente Platão, e aos de Jesus, Marcos, Mateus, Lucas e João.

Que possamos recorrer a eles em nossas dúvidas, angústias e aflições!

Obs: Todo o conteúdo desse post pode ser aprofundado no Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, na Introdução número quatro. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

NOSSO CAMINHO DO ÁTOMO AO ARCANJO



Perguntas rondam nossas mentes assim que iniciamos o processo de  raciocinar. Entre elas, muito naturalmente queremos saber o que somos e para onde vamos? Qual o sentido da existência humana?

Seria uma desmesurada pretensão da minha parte dizer que tenho essas respostas. Posso apenas colocar que o estudo sistemático e cuidadoso da Doutrina Espírita vem me mostrando que tudo tem uma razão de ser e que o acaso não existe.

 Os Espíritos da codificação nos dizem que nosso caminho é em direção a Deus, nosso Pai e Criador. Existimos com essa finalidade, ou seja, a de um dia, virmos a conhecer a Quem nos deu a vida e  a existência como espíritos. Sim como espíritos que sobrevivem a tudo e ao fim da matéria. 
Temos potencialmente portanto, apesar das dores e sofrimentos que grassam nesse planeta Terra, um destino glorioso... 

Começamos todos, Espíritos recém saídos das mãos do Criador, o grande Arquiteto do Universo, uma caminhada na condição da mais absoluta simplicidade e ignorância, no sentido do desconhecimento moral e intelectual. É através de muitas existências, ou reencarnações, como creem Kardecistas, Umbandistas, Budistas e adeptos do Candomblé, entre outras religiões espiritualistas, que trilhamos nossa história e destino...Assim, somos co-criadores com o Pai, de nós mesmos. 

E o mais lindo disso tudo é que começamos de forma igualitária, pois Deus nosso Pai não faz acepção de pessoas. A todas indistintamente dá as mesmas condições no início dessa trajetória. Se algumas se destacam sobre as outras moralmente ou intelectualmente, é simples resultado de esforço próprio. As diversas condições sociais, educacionais, raciais e sociais são meros cenários que momentaneamente servem ao Espírito em seu processo de aprimoramento. 

Isso significa que posso hoje estar encarnada no Brasil como mulher de pele clara e numa próxima encarnação, sendo necessário ao meu cabedal de experiências, renascer na África na pele negra de um homem.Por isso preconceitos de sexo, de pele ou condição social não fazem o menor sentido. Nossos corpos, sejam eles como forem, são nossos instrumentos de aprendizagem e evolução. Através deles, nossos espíritos se lançam à vida: do átomo ao arcanjo...



Um dia, evoluídos moralmente e intelectualmente,  nessa imensa trajetória transcendente em direção ao Pai Maior, seremos espíritos livres da necessidade de reencarnarmos. A vida espiritual, nossa verdadeira vida, será então nossa permanente vida, já na condição de espíritos puros...Quanto tempo levará até lá?
Só depende de nós, de nosso empenho e vontade sincera de aprender, mudar e transformarmos a nós mesmos, para então deixarmos para trás a escuridão da ignorância e da prepotência, para enfim encontrarmos a luz do conhecimento pleno e da bondade natural...

Afinal foi para isso que Deus nos criou!







OS ANIMAIS REENCARNAM?

Os bichos reencarnam?
O que diz a doutrina espírita sobre o assunto?
O animal reencarnado teria lembranças de vidas passadas?

Lorde. 
O nome dele era Lorde e de seu dono, Chico Xavier. A relação entre ambos era permeada de muita ternura e fidelidade, além de grande companheirismo, como é notadamente a convivência de todos que possuem um cão e sabem valorizá-lo. 

0 registro dessa amizade está descrita no livro As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior. 

Com a palavra, o respeitado médium brasileiro: "Eu tinha um cão maravilhoso. Mas, como ele fazia xixi pela casa inteira, Dália e Lucília (suas irmãs) acharam melhor envenená-lo". 

Decepcionado, Chico lembra a morte de seu querido Lorde, causada pelas irmãs incomodadas com o trabalho que o cão dava a elas. 

No dia da partida de Lorde, Chico voltava para sua casa quando encontrou o animal em agonia na cozinha, sendo observado à distância pelas irmãs. 

Mas, qual a surpresa? Enquanto Lorde se contorcia e gania, Chico viu outro cão, vindo do além, amenizar com lambidas carinhosas o sofrimento de seu companheiro. 


A mediunidade de Chico trouxe-lhe consolo nos momentos finais da vida de Lorde.

 Mas, e quanto a Lorde? O que seria dele depois de sua morte? Sua individualidade se manteria após o desencarne? Chico voltaria a vê-lo? Será que Lorde poderia reencarnar?

Mantendo os laços de amor

As perguntas acima povoam o imaginário coletivo, fruto do coração que estabelece laços afetivos com o animal de estimação e reluta diante da ideia de ver rompidos esses vínculos pela morte.

A médica veterinária Irvenia Prada, professora e orientadora do curso de pós- graduação em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), autora dos livros "A Questão Espiritual dos Animais" e "A Alma dos Animais", investiga o assunto com o rigor científico que merece. 

Em entrevista, Irvenia abordou vários aspectos espirituais dos animais, tais como a vida após a morte, a individualidade e a reencarnação.

Confira a íntegra dessa entrevista reveladora.


Realmente, existe vida após a morte do animal?

"Sim! Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, pergunta 597, encontramos o seguinte questionamento: 'Pois se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
 A resposta é direta e taxativa: "Sim, e que sobrevive ao corpo". 

A Gênese, de Allan Kardec, cap. III. 21 está exarado o mesmo conceito: '
"A verdadeira vida do animal, tal como a do homem, não se encontra no envoltório corporal... ela está no princípio inteligente, que preexiste e que sobrevive ao corpo'."

O espírito dele sobrevive, mantendo sua individualidade? Conserva a consciência de si mesmo?

"Na pergunta 598 do Livro dos Espíritos tem o seguinte esclarecimento prestado pelos espíritos: 
"Sua individualidade sim, mas não a consciência de si mesmo. A vida inteligente permanece em estado latente! 

É muito delicada a questão da consciência nos animais, pois face às milhares de espécies que existem, em diferentes níveis evolutivos, em cada patamar, certamente ela deve se manifestar de maneira própria, particularmente em uma ocasião tão especial, como a da morte do corpo físico.

É oportuno o ensinamento de Emmanuel (Espírito), em "Alvorada do Reino" : -"No reino animal, a consciência, à feição de crisálida, movimenta-se em todos os tons do instinto, no reino da inteligência, objetivando a conquista da razão, pelo discernimento."


Sobrevivendo ao corpo, a alma do ani­mal estará como a do homem num estado de espera para reencarnar?

"O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 282, diz:'O principio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte. Os espíritos encarregados deste trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos espíritos não há espíritos errantes de animais, mas, somente de seres humanos". 

Apesar de a colocação dos espíritos ter sido incisiva, de que não existem espíritos errantes de animais, muitos fatos falam o contrário. Ernesto Bozzano, em "Os Animais tem Alma?" comenta a ocorrência de 130 casos de manifestações metapsíquicas com aparições e materializações de animais. Como explicá-las? A literatura espírita está repleta de relatos indicativos da presença de animais no plano espiritual. 

Hermínio C. Miranda, em " Diálogo com as Sombras ", refere que o dirigente das trevas quase sempre se apresenta nos trabalhos espirituais montado em animais. 

André Luiz, em "Nosso Lar", relata a ocorrência de cães que puxam espécies de trenós e, em Obreiros da Vida Eterna, descreve a presença de aves de monstruosa configuração. 

Como existem milhares de espécies de animais, em diferentes níveis evolutivos, penso que as possibilidades são inúmeras, no relativo ao assunto em questão, não existindo uma única resposta que possa corresponder a todos os casos."

Animais reencarnam? Qual é o propósito?

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, pergunta no item 599: "A alma dos animais pode escolher a espécie em que prefira encarnar-se?
 O esclarecimento se faz em seguida: "Não, ela não tem o livre-arbítrio". 


E, na questão 601, vem o propósito da reencarnação nos animais. 
Pergunta-se: "Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?" Resposta: "Sim, e é por isso que, nos mundos mais adiantados, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são...'"

Se reencarnam, podem ter lembranças de outra vida?

"Eu não tenho conhecimento de que existam, nas obras básicas da codificação, esclarecimentos conclusivos sobre essa questão. Entretanto, nos diversos relatos divulgados de vivências entre seres humanos e animais, observo que existem 'casos sugestivos' de que isso possa acontecer. São muitas as histórias, particularmente de cães que, quando ainda filhotes, se mostraram de maneira incisiva atraídos por seus antigos cuidadores (não gosto dos termos 'dono' e proprietário') em encarnação pregressa. 
Falo também sobre isso em meu livro "A Questão Espiritual dos Animais".

Eles reencarnam junto dos donos?

"De acordo com O Livro dos Espíritos, pergunta 600, sabemos que existem espíritos zoófilos que cuidam de classificar o espírito do animal, logo após a sua morte, e encaminhá-lo adequadamente para novas etapas. Penso que seria muito adequado um animal reencarnar junto a seus antigos cuidadores, que lhe dispensaram proteção e carinho, em encarnação anterior, para que se continue o aprendizado do amor, em que ambas as partes com certeza se beneficiam."


É verdade que animais velhos e doentes ficam jovens e saudáveis depois do desencarne?

"A literatura espírita é farta de casos relativos aos seres humanos nesse sentido. Após certo tempo, pessoas que desencarnaram em idade avançada e fragiliza­das por doenças do corpo físico se mostram espiritualmente remoçadas e fortalecidas. 

Não tenho restrições em admitir também essa possibilidade em relação aos animais, mas antes temos de resolver aquela questão da erraticidade deles, ainda em aberto."


Francisco de Assis foi capaz de acalmar um lobo feroz que havia atacado várias pessoas num povoado.

 O animal confiante se entrega a mansidão depois de estar algumas vezes com o missionário que o protege da morte. 

Que conexão um animal feroz faz para tornar-se manso como nesse caso, relatado pelo espírito de Miramez?
"Se os animais vêem espíritos e sentem a sua presença, como nos esclareceu Erasto, em O Livro dos Médiuns, questão 236, por que razão também não sentiriam as boas vibrações de espíritos encarnados ou desencarnados?

 Dada a figura compassiva de Francisco de Assis, que cultivava a bondade e a misericórdia para com toda a natureza, o lobo certamente percebeu suas boas intenções em resolver a situação. 

Aliás, Francisco foi inspirado, pelo plano espiritual, a compreender a situação do lobo, que atacava as pessoas simplesmente por ter fome. Caminhando com o lobo já apaziguado pela cidade, fez as pessoas entenderem que bastava alimentá-lo para que sua presença não mais representasse perigo para ninguém. A autoridade moral de Francisco falava por si só!"


É possível trabalhar com animais no plano espiritual? Fazendo o quê?

"Nas obras do espírito André Luiz, tem-se a informação de que cães acompanham espíritos luminosos em suas missões nos planos umbralinos. 

E, no próprio texto em que Miramez relata o caso do lobo, temos uma citação interessante: Ao lado dos dois (Francisco e o lobo) estava uma pequena falange de espíritos da natureza, uns na forma de animais, festejando a aliança no sentido de despertar nos homens, o amor para com os animais, e nestes, o amor para com aqueles'. 

O trabalho de 'espíritos da natureza', muitos na forma de animais, é relatado na obra Libertação, de André Luiz, cap. IV, em que o instrutor Gúbio esclarece que milhares de criaturas, de inteligência sub-humana, são utilizadas nos mais rudes serviços da natureza, guardando a ingenuidade do selvagem e a fidelidade do cão; o contato com certos indivíduos inclina-os para o bem ou para o mal, daí exacerbando-se a responsabilidade de quem exerce influência sobre a mente infantil de semelhantes criaturas.