sexta-feira, 19 de maio de 2017

VOCÊ TEM MEDO DA MORTE? o QUE AFINAL É MORRER?

Transcender. 
Elevar-se, ir além dos limites.                
Assim penso na condição do meu filho mais novo, Fernando, que há dez anos  mudou-se, voltando para o verdadeiro lar de todos nós, nossa pátria espiritual. 








Ele transcendeu no dia 4 de Abril de 2007. Amanhã fará 10 anos.
 Mas não enxergo a morte com um fim, como uma separação irremediável, cercada de um profundo sentimento de desolação e vazio eternos ... Não mesmo.

 A morte para mim é vida mais além que segue plena. Além da pequenez de nossas paixões materiais, além de nossas disputas ininterruptas por desejarmos ser sempre mais que os outros, além da nossa tola vaidade humana, além de nosso desmedido e pobre orgulho. Além de nosso abominável egoísmo.

Os que transcendem deixam para trás todas as suscetibilidades naturais do corpo material, perecível e finito. Mas levam consigo a verdadeira bagagem, parte permanente do Espírito eterno e imortal. A bagagem que cabe no coração e foi amealhada na vivência terrena.




Levam o amor se o viveram e o espalharam. 
Levam o respeito se o cultivaram por si mesmo e pelo próximo. 
Levam as virtudes se essas foram metas buscadas. 
Levam a paz de espírito se as leis Divinas gravadas em suas consciências foram seguidas.
 Levam o conhecimento e a cultura se delas se ocuparam. 
Levam a certeza da continuidade mais além se essa crença alimentaram.
E então, a despeito de toda a saudade, que também levam consigo, despertam tranquilos.          

Assim como todos nós despertamos todos os dias seguidos de nossas noites de sono. 

Morrer é dormir para acordar em outra dimensão bem melhor do que antes. Tenho a serenidade de crer que meu filho Nando está assim, bem melhor do que antes. Embora aqui tenha deixado o amor, amizades, ternura, afeto e outras tais conquistas que nos fazem mais plenos. 
Embora tenha bem vivido a vida dos 25 anos com que Deus lhe presenteou.                          







Morrer é passar pela linda e inevitável metamorfose  da lagarta para a borboleta. Vale a comparação: aqui caminhamos sob pesados fardos materiais que nos causam as mais complexas necessidades e literalmente nos arrastamos. Lá, livres do peso constrangedor do casulo corpóreo, volitamos como as borboletas em nossos mais lindos sonhos.

Mas será que todos nós acordamos assim tão tranquilos e resignados, entendendo nossa nova situação e desfrutando disso?Bem aí vai depender de como vivemos a vida, dos caminhos que escolhemos, das sementes que plantamos, do bem que cultivamos e compartilhamos.
A cada um segundo sua obra como disse um dia, Jesus. Para bem morrer precisamos bem viver.

 Lembrando sempre que estamos aqui de passagem com hora, dia e momento para voltarmos e por isso é tão fundamental nos prepararmos. Nos prepararmos para o perdão incondicional que nos fará mais leves. Nos prepararmos para agregarmos conhecimento e cultura, bens que ninguém nos tira. Nos prepararmos para o desenvolvimento de nossa moral, única credencial que nos representará lá em cima. 

Nos prepararmos para o desprendimento e desapego da matéria que nos aprisiona causando dor.A vida é linda e viver é uma viagem fantástica, lúdica e preciosa. Se compreendemos isso e vivemos valorizando o que realmente importa e o que cabe dentro de nós, então morrer não é nada terrível como fomos ensinados a achar e sentir. 


O tabu da morte acaba sendo desmistificado quando entendemos que Deus nos fez para o amor, assim não faz sentido as separações definitivas entre os que se amam. Acredito portanto no "até breve", no "até lá", no "te encontro quando a chegar a minha hora"...




A morte é apenas a passagem de volta pra casa. A casa de nosso Pai, criador de tudo e todas as coisas. A casa do Pai Amor. 

Que possamos lembrar os que amamos e partiram, com flores, cantos, preces, alegria, leveza e um tantinho de bom humor, afinal eles continuam livres, leves e íntegros. Certamente não gostam de ser reverenciados como fantasmas assustadores ou ainda como santos que não são.

Assim, parafraseando o Nando que se estivesse aqui diria : "Valeu moleque!" termino esse post lembrando o grande escritor e pensador Fernando Pessoa,  também hóspede lá de cima, dizendo como ele: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!"

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