A POLÍTICA , A POLITICAGEM E A RAIVA DE TODOS NÓS
Vivemos tempos raivosos: cheios de palavras não ditas e às vezes duramente ditas, discussões intermináveis, vídeos estranhos trocados e enviados de lá para cá, ofensas no Facebook, no WhatsApp e fora deles também...
Você diria que isso é normal, afinal numa democracia onde tudo deve ser discutido, falado, escolhido e votado é assim mesmo, demanda contradições, posições opostas e raiva, muita raiva...
Mas fico aqui, cá com meus botões, pensando em por que nos permitimos esses movimentos raivosos que na verdade nada constroem?!
Há irmãos discutindo por um ou outro candidato, pais e filhos ironizando e depreciando a escolha do outro, amigos deixando que o rastro metafórico de uma política mal feita interfira em relações construídas por anos e anos a fio...
E como tudo passa, logo, logo um dos dois candidatos tomará conta do cargo e como presidente, fará tudo a seu modo, jeito e conveniência, (seja lá quem for) e deixará uma leva de frustrados, e ainda mais enraivecidos eleitores atrás de si!
E como estarão as relações machucadas nesse período?
Como amigos retomarão a boa e velha cumplicidade?
Como filhos e pais se olharão de novo com tudo que foi deixado no ar pelas palavras mal colocadas e explosões raivosas?
Na verdade se pararmos para pensar, nenhum dos candidatos que se apresenta, mereceriam uma só discussão contra ou a favor, de nossa parte, por motivos pessoais e partidários.
Não se fez política nesta campanha, se fez politicagem.
O que vimos foi uma enxurrada de notícias falsas, fofocas, disse me disse, denúncias... Mas nada, nadinha de nada de propostas positivas, efetivas e produtivas acerca do gigantesco e colossal número de desempregados que o Brasil tem atualmente...
Nada sobre como, e o que, se fazer para que todos os brasileiros que pagaram com um gigantesco sacrifício seu minguado INSS, recebam um dia a aposentadoria que por direito alcançaram.
Paira no ar a sensação de que muitos de nós não conseguirá a tal da aposentadoria, o descanso merecido...

Não ouvimos nada efetivo e real sobre o que se fazer para cortar privilégios e penduricalhos pecuniários para algumas classes, em detrimento de uma esmagadora população sem trabalho, sem educação, sem saúde e sem esperança...
Se nossa raiva ao encontrarmos quem não pensa, sente ou vota como nós, fosse expressa como algo construtivo até valeria de algo, mas sabemos, eu e você, que lê esses pensamentos nesse momento, que não será assim...
E por uma razão bem simples: não se muda nada de fora para dentro, mas de dentro para fora. Temos representantes ruins, fracos, e comprometidos apenas consigo mesmo e com os seus, porque nós também somos, vivemos e pensamos assim.
Nossos representantes refletem o que somos, sentimos e pensamos .
Não estamos fazendo a nossa parte individualmente, assim o reflexo coletivo é esse: catastrófico!
O dia que resolvermos olhar para dentro de nós, fazendo a faxina e a reforma de nossos valores, posturas, de nossa ética e moral, teremos candidatos envolvidos com a politica e não com a politicagem.
Teremos programas eleitorais com propostas concretas baseadas no orçamento da união, no que de fato temos para gastar, com explicações de como será gasto esse dinheiro.
Saberemos concretamente o que é possível ou não fazermos.
Mas se ainda em nossas vidas pequenas e particulares articulamos vantagens, manipulamos regras, abandonamos idosos (às vezes nossos próprios idosos) desrespeitamos crianças e exploramos uns aos outros quando se tem o poder e a força do trabalho, então o que podemos esperar de nossos representantes é o que está aí, para desespero e tristeza de uma maioria...
Tenho 58 anos e nunca me vi tão desanimada diante de um processo eleitoral. Me sinto vazia de esperança, daquela alegria sincera de que as coisas podem melhorar...mas apesar desse marasmo emocional e psíquico, optei por não repassar vídeos contraditórios, entrar em discussões das quais me arrependeria depois.
Optei pela minha paz de espírito, já que não vi, ouvi ou percebi nada que pudesse me trazer a esperança de volta!
Que possamos nesse segundo turno ter mais calma, respeito e consideração por aquele que pensa diferente de nós e que acima de tudo possamos aproveitar a lição preciosa de que ELES que disputam uma vaga aqui ou ali são reflexos de nós mesmos!
